segunda-feira, 28 de novembro de 2011

AGUARELA DE LISBOA - MIRADOURO DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Aguarela a partir de fotografia captada à noite numa altura de quase chuvada!!!!
Estávamos em 1996!!!


LISBOA


Minha eterna Lisboa,
meu pedaço de terra doce e amarga,
deixa-me acordar em cada tua madrugada,
numa das tuas camas, viradas para o rio, nas tuas ruas, na tua calçada!
Quando te cheiro, Lisboa, sou um vendedor de castanhas, de gelados
ou um puto contente, a correr na Mouraria
e sou uma gaivota a beijar o Tejo,
o cacilheiro, o Nicola,
as velhas na janela, o fado, o Bairro Alto, a folia!
Em ti chorei a morte, chorei a vida
e ri de ambas, de partida
de um sonho encontrado e perdido.
Em ti me fiz gente, me fiz lume,
fogo, desejo, paixão!
Em ti busquei palavras, busquei amor
nas pedras frias do chão!
Se este mar enorme que há em mim
desaguasse no rio que te toca,
os teus caminhos seriam lagos de lágrimas,
navegados por barcos de papel,
seriam espaços de água imensa
a molharem os teus pés
e tu toda serias minha,
tão Lisboa, tão brilhante como és!
Minha eterna Lisboa,
cada vez que cai a noite sobre ti,
pareces saída dos meus sonhos,
traçada a carvão por um pintor qualquer...
pudesses tu ser alguém
e serias, com certeza, poema em forma de mulher...

Fernando G.

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