quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SONHO

Desenho a grafite, sentido, com base em sonho meu!


EU QUE SONHO


Condenam-me por sonhar?
Porquê?
Se fecharem os olhos não sonham também?
não buscam o que vos invade a memória
ou a criança que pensam perdida?
Pois eu sonho, minha gente,
sonho aqui e mais além,
e escrevo sonhos na história
do homem que sou na vida…

Sonho com sorrisos e lábios cobertos de chocolate,
com brinquedos, gargalhadas, gestos e carinho
com a mesma alegria de quando era pequeno

Sonho com paz,
com gente que não morra por morrer,
com flores em vez de corpos no caminho
e um ar sem cheiro a morte mas sereno…

Sonho com aqueles que me partilham,
que sabem o que podem partilhar
e me buscam na calmaria do dia

E cruzo sonhos com os deles no meu sonhar
como se fosse uma única vida a viver
e o sonho fosse apenas um em sintonia…

Sonho que consigo voar
cruzar céus, terras e mares num só segundo
e sonho que sou a água nos meus próprios olhos
que sou cada pedaço do céu estrelado
e cada canto e recanto deste mundo

Sonho que um dia não seja sonho mas seja em mim
a realidade do que escrevo e sinto não por sentir
esse pedaço de tortura com sabor
que toda a gente chama mas poucos têm
que todos se preocupam em definir,
que uns chamam loucura, outros amor…

Condenam-me por sonhar?
Porquê?
Por colocar os sonhos nas minhas palavras?
Ou por apenas ser como sou?
É que se assim for
que seja já preso,
porque ninguém me fará calar
nem ninguém me dirá para onde vou…
porque estar calado é para mim uma tortura
como a falta de sangue ou de ar
ou de água numa boca com secura…
Eu continuarei a sonhar
que volto com o tempo para trás,
que faço cada instante regressar
e vezes sem conta, todos os passeios, caminhares e espaços
Quem me dera rechear-me de abraços e de beijos,
terminando a minha vida como sonho
com um filho a sorrir para mim entre os meus braços…

Fernando G.


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